Naomi Campbell revela que ainda sofre racismo em sua carreira: "Nosso trabalho nunca acaba."

26/06/2019
  • Naomi Campbell tem uma carreira consolidada: uma das supermodels mais famosas da história, ela tem uma fortuna de  40 milhões e incontáveis campanhas, editoriais e desfiles em seu currículo, além de ter quebrado barreiras atrás de barreiras na indústria. Foi ela, por exemplo, a primeira modelo negra em uma campanha da Prada. Foi ela também a primeira modelo negra a estampar uma capa da Vogue britânica.

    Reconhecível e adorada no mundo inteiro, porém, nada disso parece poupá-la de ainda sofrer racismo em sua carreira. E, por incrível que pareça, a última vez que isso aconteceu foi recentemente.

    Em uma entrevista ao tablóide The Mirror, Campbell revelou que uma das campanhas que protagonizou recentemente foi proibida em um país na Ásia por causa de seu tom de pele. Mas engana-se quem pensa que Naomi se abala: "Me choca, mas me dá ainda mais garra de continuar", contou a super. "É isso que coloca tudo na perspectiva de que nosso trabalho nunca acaba. É por isso que não desisto", continuou.

    A posição de Naomi, que será homenageada com o Prêmio de Ícone Fashion no Fashion Awards deste ano, é de necessária e incessante militância: há seis anos, ela fundou, com Iman e Bethann Hardison, a Diversity Coalition, que começou a cobrar mais diversidade na moda sem poupar nomes. O resultado foi significativo: de menos de 6%, o número de modelos negras nas passarelas da semana de moda de Nova York, o número subiu para 40% nas temporadas de moda desde então.

    Naomi se diz orgulhosa e feliz com o resultado, mas afirma que isso é só o começo, e outras metas precisam ser alcançadas, como o mesmo cachê para modelos de todas as etnias. "Se você e eu estamos fazendo o mesmo trabalho, por que não estamos ganhando a mesma coisa? Eu passei por isso quando era jovem e cedi muitas vezes, mas não precisa mais ser assim."

    Campbell relembra que já cansou de fazer campanhas apenas pelo prestígio de uma marca, sua proposta criativa ou um bom fotógrafo, mas depois de um tempo começou a dizer não, para a surpresa de seu então agente: "Eu disse que não ia me vender daquela forma, e nem ele ia me vender daquela forma. As pessoas se esquecem que modelos são profissionais autônomas. Era um insulto para a minha raça aceitar aquilo."

    A última vez que recusou um trabalho por este motivo foi um desfile na semana de moda de Paris. Para ela, a marca que a convidou e ouviu sua recusa não tinha um casting diverso o suficiente: "Senti que não era certo. A diversidade tem que ser equilibrada para todos, em todos os lugares. Não é uma questão de dinheiro."




































































































































    Fonte: https://vogue.globo.com/moda/noticia/2019/06/naomi-campbell-revela-que-ainda-sofre-racismo-em-sua-carreira-nosso-trabalho-nunca-acaba.html

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